
"Um dia, quando reencarnar, quero ser golfinho"
Eu ainda me lembro de ver golfinhos no Tejo, pá. O meu pai às vezes gostava de ir almoçar uma caldeirada ali ao Porto Brandão, e a gente ia de barco, só pelo passeio. Que saudades do Flecha e do Zagaia, aquilo é que eram barcos! Um tipo, às vezes, apanhava um frio de rachar, porque aquilo era muito desprotegido, mas, olha, nesse tempo ninguém se constipava! E a gente pagava oito tostões para atravessar o rio e era um passeio bonito. Agora há esses catamarões, ou lá o que é, que fazem as viagens num instante e aquilo não tem piadinha nenhuma, é tanto o conforto que essa malta, que já não tem culpa de ser suburbana, chega ao trabalho a pensar que ainda não saiu da cama.